26 de junho de 2016

Parabéns Clavel's Kitchen! {Tábua de queijos e enchidos - requeijão com paprika e ervas; puré de ervilhas e húmmus}


Hoje faz um ano da abertura da Clavel's Kitchen. Foi um ano intenso, cheio de emoções, cheio de altos e baixos.

É difícil resumir um ano inteiro aqui em poucas linhas, mas foi o ano em que virei totalmente a minha vida do avesso. Virei-a do avesso e descobri que o avesso afinal era o lado certo. E isso, sim, é talvez a minha maior gratificação.

Há um ano tinha a minha Margarida 6 meses, eu estava ainda meia zonza com que o que tinha acabado de decidir. Muito a medo de tudo o que estava a construir. Continuava a dar aulas na Soares dos Reis, como professora de multimédia, algo que tanto amava fazer. Tantas e tantas vezes me interrogava: "Porque estás a fazer isto?" Era uma pergunta que talvez fosse mais complicada para mim própria responder, do que as pessoas que me rodeavam. O entusiasmo e alegria com que dava corpo ao meu projecto respondiam a esta questão, mas eu sabia que não estaria longe a decisão de sair do meu emprego principal. O problema, sabem?, é que eu amava dar aulas. Esta decisão surgiu agora, só agora, passado um ano inteiro. Com uma licença sem vencimento pelo meio, mas finalmente ganhei coragem e demiti-me. Foi a coisa mais difícil e corajosa que tive de fazer na minha vida até agora.

15 de junho de 2016

O poder extraordinário da diferença {Creme de Courgette e Caril}



Estava a começar a escrever este post com um texto a mostrar a minha indignação com o massacre que aconteceu em Orlando. Mas o que é certo, é que nada do que eu escreva irá conseguir descrever na realidade aquilo que eu sinto acerca deste acto.

Como sabem trabalhei numa escola em que havia liberdade de expressão e os alunos sentiam-se mais à vontade para serem quem realmente são, sem tabus, sem complexos, sem vergonhas. Mas eu, muitas vezes, ouvia "Ah, mas é uma escola de artes. Os artistas têm a mania de serem diferentes. Eles são gays só porque querem chocar!" Ouvi tantas, mas tantas vezes isto. Ou então "Agora os miúdos querem todos ser gays. É moda!" E se eu ouvi coisas destas, imaginem eles.

Mas, a sério? Acreditam mesmo nesta palhaçada? Será que estas pessoas acham mesmo que ser homossexual na nossa sociedade é fácil?

Dizemos viver numa época em que nos podemos expressar à vontade. Pois não podemos mesmo, de todo. De uma forma geral ser gay é ser doente, até há quem ainda diga que pode ser curado com umas injecções (sim, a sério que há quem diga isto!). Uma pessoa que resolve "assumir-se" luta contra uma sociedade inteira. Se anda de mão dada com o seu parceiro na rua é considerado atentado ao pudor. Se quer ter filhos é porque é um anormal que não sabe cuidar de uma criança porque esta será criada num ambiente promíscuo. Tomam-se à partida pressupostos de que um homossexual é alguém promíscuo, ignorante e boémio.

Tenho muitos ex-alunos homossexuais e tenho imensos amigos que também o são. E isso não é importante para mim. Não me interessa nada! Nada! A única coisa que me interessa é que eles sejam felizes. E gosto tanto de alguns deles, que me revolta e entristece saber que eles não possam ser felizes à vontade. Que eles não possam sair à rua, a um bar para ir beber um copo sem que apareça um louco que os resolva matar só porque não é igual a eles.

Enojam-me estas pessoas que descriminam os outros. Revoltam-me e muitas vezes fazem-me desacreditar na humanidade.

Não podia deixar de falar deste assunto que me tem tirado horas de sono. Quando as pessoas entenderem que a homossexualidade não é algo que tenha de ser assumido, que tenha de ser motivo de vergonha, ou que seja algo contagioso. Seria o mesmo que eu agora tivesse de assumir que nasci loira. Raios, alguma vez teria de "assumir" alguma coisa? Não! Sou loira e eles são homossexuais. Quando as pessoas entenderem isto, este passa a ser um não assunto.

Para ilustrar este "não assunto" resolvi mostrar-vos esta sopa, inspirada em várias culturas. Com a mistura do caril indiano e a cúrcuma oriental, com queijo feta grego e o bacon bem americano. Aqui fica a prova de que como num prato conseguimos misturar várias culturas e fazer algo de único e incrível. Posso-vos garantir que o mágico desta sopa é mesmo a incrível mistura de sabores e texturas. Como vêm com a diversidade conseguimos criar o extraordinário.



Creme de courgette e caril
Esta é uma receita elaborada para o robot de cozinha multifunções Cuisine Companion, da Moulinex. 

Ingredientes:

3 colheres de sopa de azeite
1 cebola grande
1 alho francês
1 haste de aipo
1 colher de chá de caril em pó
2 colheres de chá de cúrcuma
870g de courgette
50g de bacon
50g de queijo feta
Cebolinho q.b.
Sementes de sésamo q.b.

Preparação:

1. Na taça coloque o acessório misturador e introduza a cebola, o aipo e o alho francês com o azeite e seleccione o programa P1 de cozedura lenta a 130 ºC durante 5 min. Adicionar o caril, o açafrão, a courgete descascada e cortada em cubos, o sal e 700ml de água quente. 

2. Selecione o programa de sopas P2.

3. Servir com bacon tostado, queijo feta, cebolinho e sementes de sésamo.

20 de maio de 2016

Os bastidores nada glamorosos {Wraps de couve lombarda e peru com molho de mostarda}

Quantas vezes dou por mim a pensar "No que me fui meter? Agora deu-me para brincar às empresas?". Este pensamento às vezes assombra-me e assusta-me. Assusta-me tanto, nem podem imaginar. As decisões são tantas, as responsabilidades enormes. De tal forma que dei por mim, noutro dia, a "invejar" um colaborador fabril, que entra às 9h e sai às 17h, que não tem grandes responsabilidades, que o trabalho acaba quando pica o ponto. Claro que todos estes pensamentos não passam de pequenos desabafos íntimos, pequenos medos (ou grandes, sei lá!), sustos e que naquele preciso momento quero é desaparecer... "Deixem-me em paz, hoje não sou eu que decido!"

10 de maio de 2016

Meninices e Mesquinhices {Pesto de rúcula e menta}

Há uns dias, estava a arranjar a Maria para tomar banho e ela estava a contar-me um episódio da escola. Referiu o nome de uma amiga/colega que eu não conhecia. Ela disse: "Oh mãe, ela é do 3º ano, é aquela que dança muito bem Hip-Hop, sabes?" Percebi, finalmente, de quem se tratava e resolvi perguntar: "Vocês são amigas?"

Esta minha pergunta surtiu grande conversa:

21 de abril de 2016

Porque é que minha filha não me ouve? {Cevadoto de espinafres e camarão}

Num outro dia, em conversa com uma amigas acerca de parentalidade positiva, houve uma mãe que perguntou à minha amiga Magda: Como posso fazer para que a minha filha fale comigo?

Ora bem, eu não sou a Magda e não tenho as respostas certas que ela tem, e muito menos sei do assunto como ela sabe. Ela é quem ajuda os pais e tem taxas de sucesso incríveis. Mas esta questão deixou-me a pensar. "Como posso fazer para que a minha filha fale comigo?"

11 de abril de 2016

A corrida contra o tempo {Tarte de cenouras em flor}


O tempo que vai escorrendo por entre os dedos.
O tempo que nos foge sem pedir licença.
O tempo que nos escapa e nem notamos.
O tempo que nos faz falta. Que nos envelhece e transforma.

De repente damos por nós a perceber que já se passou uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano, 5 anos... uma década!

29 de março de 2016

Os dias em que não cabes em ti {Pão caseiro sem amassar com azeite e alecrim}








"Há dias em que não cabes na pele com que andas, 
Parece comprada em segunda mão, um pouco larga nas mangas."*

Não sei se costumam ter esta sensação, de que não cabemos dentro de nós próprios, que parece que tudo o que vestimos/usamos não nos serve, não nos encaixa. Há dias assim, em que me olho ao espelho e não gosto de nada, só reparo numa borbulha, nas estrias da barriga, na pele mais flácida, nas olheiras, do cansaço estampado no rosto... e vou disfarçando, vou à "caixinha da saúde" e coloco um pouco de cor na cara, para dar um ar mais saudável. Mas o espírito continua lá e, inevitavelmente, nesse dia toda a gente pergunta se me estou a sentir bem, que estou com ar cansado, que estou mais magra... E a estima e o espírito descem ainda mais e mais, e vou-me afundando numa tristeza que muitas vezes nem eu própria percebo como lá cheguei.

24 de março de 2016

Quando a vida te vira do avesso {Panquecas de ervilha com salmão fumado e ovinhos de codorniz}

"E se de repente a vida te vira do avesso? 
E tu descobres que o avesso, é o seu lado certo?" *

Pois é, a vida tem destas partidas. Tudo aquilo que muitas vezes achávamos ser o certo, o caminho a seguir, a via correcta para chegarmos mais longe, de repente, no nosso caminho aparece uma pedra, ou uma árvore caída que nos faz afastar do caminho original. E, às vezes, esses atalhos que escolhemos revelam-se totalmente encantadores, apaixonantes e percebemos que era esse o caminho principal, mesmo que durante várias vezes tenhamos resistido.

19 de março de 2016

Um pai de mão cheia

Esta imagem tem mais de um ano... mas o amor que a mesma transmite é eterno, infinito (como diria a Maria).

Hoje o dia é teu.

Ao longo da minha vida sempre fui imaginando o que seria um pai ideal. Sempre fui idealizando o pai que gostaria de dar às minhas filhas. E, felicidade do destino, saiu-me melhor que a encomenda.

És um pai presente, um pai atencioso, compreensivo, atento, exigente, amável, carinhoso, participativo, amoroso, brincalhão, persistente, justo...

És um homem que não está preocupado com estereótipos: mudas as fraldas, dás banhos, vestes, arranjas-las, leva-las à escola, vais às reuniões de pais, vais ao médico com elas, dás-lhes a medicação, adormece-as, lês as histórias, brincas com elas, mesmo que a brincadeira seja a colocar uma tiara na cabeça e fazerem de conta que são todos princesas. És um pai de mão cheia, um orgulho tão grande que me enche todo o coração.

Há muitos textos que vou lendo de forma crítica em relação aos homens em geral, e vou-me apercebendo do quão especial és. Tu não ajudas em casa [com elas, ou sem elas], tu colaboras. Fazes parte da essência da vida em conjunto, de uma família completa, e assumes as nossas responsabilidades tanto como eu, em tudo aqui dentro de casa.

Sinto-me feliz, muito feliz, por ter casado com o melhor pai do mundo. O melhor que poderia oferecer às minhas filhas.

Obrigada!

Notas: Hoje a receita é só de amor e lamechice.... ;)  







8 de março de 2016

A força da mulher {semi-frio de cereja e amêndoa}

Neste dia 8 de Março celebra-se o dia Internacional da Mulher. Há a teoria de que não é necessário um dia para celebrar o facto de sermos mulheres. Eu não sou da mesma opinião. Este dia surgiu após a revolução histórica de 130 operárias em Nova Iorque, no dia 8 de março de 1908, que se manisfestaram contra o facto de serem muito mais mal pagas que os homens. Estas mulheres foram assassinadas com um incêndio na mesma fábrica. Morreram as 130 mulheres. Ainda hoje, se sente uma diferença e uma descriminação em muitos sectores em que, nós mulheres, somos muito prejudicadas em relação aos homens. E, está nas nossas mãos, conseguirmos vencer esta discriminação. Lutando sempre a favor dos nossos direitos. Eu gosto de pensar que aquelas mulheres não morreram em vão. Que elas são um símbolo de força e de união. Não acredito que devamos ser iguais aos homens, porque definitivamente não o somos, mas acredito e defendo que temos o dever e a obrigação de termos as mesmas oportunidades que eles.