22 de agosto de 2016

Ver com as mãos {Bruschetta de pêssego e queijo feta}

"Meninos, não se vê com as mãos."

Quantas vezes ouvimos esta frase? E quantas vezes a repetimos?

Recordo-me de ser criança e querer mexer no que estava a ver, mas havia sempre esta frase em forma de reprimenda. O desejo de tocar era enorme, mas tínhamos de andar de mãos nas costas, porque "ver, é com os olhos". Às vezes a vontade de cheirar também existia, e com as mãos atrás das costas aproximava-me do objecto e tentava cheirá-lo, mas sem a possibilidade de tocar, nenhum dos outros dois sentidos eram potenciados. Esperava que os meus pais não estivessem a olhar para mim, e muito levemente tentava sentir o dito objecto.

16 de agosto de 2016

Expectativa vs Realidade {Manteiga de Pistácio}


Tenho andado ausente. É um facto. Ausente do blogue, das redes sociais. Envolta em imenso trabalho e com as filhas de férias o que complica ainda mais a gestão do meu tempo.

Faço planos na minha cabeça e, às vezes, no papel também. A lista interminável de tarefas a cumprir e terminar o dia de trabalho antes das 16h para poder fazer actividades de férias com as filhotas.  O que é certo é que não tenho conseguido cumprir. Nesse momento recordo-me do que uma tia minha me disse há muitos anos: "Nunca deixes o trabalho interferir com o tempo de qualidade com as tuas filhas. É a única coisa que me arrependo na vida." Claro que depois vim a saber que é, também, uma percepção dela, pois as filhas não têm de todo essa recordação da mãe. Talvez, também ela, esteja a ser demasiado dura com ela própria...

O que é certo é que tenho andado a lutar com as expectativas que crio versus a realidade. Acho que o problema principal é esse. Se pensar bem, suponho que consigo resumir todos os meus problemas nisto. Sempre que me envolvo em algo, ou nos meus problemas emocionais, ou no meu próprio trabalho, o que me leva ao desespero são as minhas expectativas saírem defraudadas. Andei assim durante duas ou três semanas, a tentar compor, arranjar forma de fazer tudo e cumprir com todas as minhas tarefas e superar as minhas expectativas. Sempre que não as conseguia superar o sentimento era de desolação, tristeza e desilusão. Até que percebi que não poderia continuar assim. Estava a entrar num ciclo vicioso do qual seria complicado sair.

27 de julho de 2016

A saúde da alma {Crocante de amendoim com chocolate}

Muito se fala de alimentação saudável. Dos perigos do açúcar, do sal, das gorduras, dos peixes, das carnes, das hormonas, etc…

Nunca em altura alguma se falou tanto de uma alimentação saudável, e ainda bem! Mas como em tudo na vida é importante encontrar o equilíbrio, o razoável, a calma e a tranquilidade. Sempre me assustou quando as pessoas aderem a fundamentalismos, a fanatismos e se tornam obsessivas e obcecadas. Quando passam a viver só para a leitura dos rótulos, do medo pela farinha de trigo, pelo glúten, pelo açúcar começam a assustar-me. Vejo tanta gente à minha volta assim, de tal forma que dizer que comi um arroz de marisco é quase um pecado, pois, imaginem só, era com arroz branco! Desculpem-me, meus queridos, acabei de pecar.

11 de julho de 2016

A face da esperança {tarte de tomate à Portuguesa}

10 de Julho de 2016 fizemos história.

Quem me conhece sabe que não ligo muito a futebol. Tenho um clube com quem simpatizo mais, mas com a selecção fico sempre muito mais atenta. Mas sei o que isto significa. O futebol é o maior desporto do nosso país e ganhar esta taça mexe com muita coisa, muita gente e é muito importante para a nossa auto-estima.

É fundamental analisar esta vitória como uma vitória de um país que andava adormecido, que andava cabisbaixo e com muita pouca vontade de sorrir. Esta vitória é importantíssima para que nos ajude a acordar, lavar a cara e enfrentar a vida com um sorriso nos lábios e com a certeza de que poderemos sempre vencer e ir contra todos os obstáculos.

Como diz uma amiga minha, isto não é só futebol. Isto é muito mais do que isso. Isto é um país que precisava de um arrebitar destes há muito tempo. É um reafirmar de que somos bons, somos tão bons, somos os melhores. É uma lição de vida, de dedicação, de coragem, de luta e de vitória.

Que seja uma certeza para todos nós, de que somos uma nação valente e imortal. Vamo-nos levantar hoje de novo, pelo esplendor de Portugal!

🇵🇹 VIVA PORTUGAL🇵🇹 






Tarte de tomate à Portuguesa 🇵🇹

Ingredientes:

1 massa folhada
2 tomates vermelhos grandes
1 tomate amarelo
Folhas de manjericão q.b.
250 g de requeijão
1 dente de alho
sal q.b.
Pimenta preta moída na hora q.b.
Manjericão fresco q.b.
Azeite extra virgem q.b.
Raspa de 1 limão
Oregãos secos q.b.

Preparação:

Pré-aqueça o forno a 180ºC.
Numa tarteira coloque a massa folhada e cubra com papel vegetal e feijões secos.
Leve ao forno sensivelmente por 20 minutos, ou até folhar.

Faça o recheio. Pique o alho bem fininho e os coentros, junte ao requeijão, tempere com sal e pimenta.
Remova a pele dos tomates. Para isso, faça uma cruz com a ajuda de uma faca, nas extremidades dos tomates. Coloque num tacho água a ferver e mergulhe os tomates durante 2 minutos. Numa taça à parte com água e gelo coloque os tomates. Retire e verá que será muito simples pelar os tomates.
Parta às rodelas os tomates.

Remova a tarteira do forno.
Retire os feijões e o papel vegetal. Cubra a base da massa folhada com o preparado de requeijão.

Coloque as rodelas dos tomates e as folhas de manjericão de forma a decorar como a bandeira portuguesa. Polvilhe com orégãos, tempere os tomates com sal e pimenta e com um fio de azeite. Leve ao forno durante 10 minutos.

Quando retirar do forno volte a polvilhar mais orégãos e mais azeite.

26 de junho de 2016

Parabéns Clavel's Kitchen! {Tábua de queijos e enchidos - requeijão com paprika e ervas; puré de ervilhas e húmmus}


Hoje faz um ano da abertura da Clavel's Kitchen. Foi um ano intenso, cheio de emoções, cheio de altos e baixos.

É difícil resumir um ano inteiro aqui em poucas linhas, mas foi o ano em que virei totalmente a minha vida do avesso. Virei-a do avesso e descobri que o avesso afinal era o lado certo. E isso, sim, é talvez a minha maior gratificação.

Há um ano tinha a minha Margarida 6 meses, eu estava ainda meia zonza com que o que tinha acabado de decidir. Muito a medo de tudo o que estava a construir. Continuava a dar aulas na Soares dos Reis, como professora de multimédia, algo que tanto amava fazer. Tantas e tantas vezes me interrogava: "Porque estás a fazer isto?" Era uma pergunta que talvez fosse mais complicada para mim própria responder, do que as pessoas que me rodeavam. O entusiasmo e alegria com que dava corpo ao meu projecto respondiam a esta questão, mas eu sabia que não estaria longe a decisão de sair do meu emprego principal. O problema, sabem?, é que eu amava dar aulas. Esta decisão surgiu agora, só agora, passado um ano inteiro. Com uma licença sem vencimento pelo meio, mas finalmente ganhei coragem e demiti-me. Foi a coisa mais difícil e corajosa que tive de fazer na minha vida até agora.

15 de junho de 2016

O poder extraordinário da diferença {Creme de Courgette e Caril}



Estava a começar a escrever este post com um texto a mostrar a minha indignação com o massacre que aconteceu em Orlando. Mas o que é certo, é que nada do que eu escreva irá conseguir descrever na realidade aquilo que eu sinto acerca deste acto.

Como sabem trabalhei numa escola em que havia liberdade de expressão e os alunos sentiam-se mais à vontade para serem quem realmente são, sem tabus, sem complexos, sem vergonhas. Mas eu, muitas vezes, ouvia "Ah, mas é uma escola de artes. Os artistas têm a mania de serem diferentes. Eles são gays só porque querem chocar!" Ouvi tantas, mas tantas vezes isto. Ou então "Agora os miúdos querem todos ser gays. É moda!" E se eu ouvi coisas destas, imaginem eles.

Mas, a sério? Acreditam mesmo nesta palhaçada? Será que estas pessoas acham mesmo que ser homossexual na nossa sociedade é fácil?

Dizemos viver numa época em que nos podemos expressar à vontade. Pois não podemos mesmo, de todo. De uma forma geral ser gay é ser doente, até há quem ainda diga que pode ser curado com umas injecções (sim, a sério que há quem diga isto!). Uma pessoa que resolve "assumir-se" luta contra uma sociedade inteira. Se anda de mão dada com o seu parceiro na rua é considerado atentado ao pudor. Se quer ter filhos é porque é um anormal que não sabe cuidar de uma criança porque esta será criada num ambiente promíscuo. Tomam-se à partida pressupostos de que um homossexual é alguém promíscuo, ignorante e boémio.

Tenho muitos ex-alunos homossexuais e tenho imensos amigos que também o são. E isso não é importante para mim. Não me interessa nada! Nada! A única coisa que me interessa é que eles sejam felizes. E gosto tanto de alguns deles, que me revolta e entristece saber que eles não possam ser felizes à vontade. Que eles não possam sair à rua, a um bar para ir beber um copo sem que apareça um louco que os resolva matar só porque não é igual a eles.

Enojam-me estas pessoas que descriminam os outros. Revoltam-me e muitas vezes fazem-me desacreditar na humanidade.

Não podia deixar de falar deste assunto que me tem tirado horas de sono. Quando as pessoas entenderem que a homossexualidade não é algo que tenha de ser assumido, que tenha de ser motivo de vergonha, ou que seja algo contagioso. Seria o mesmo que eu agora tivesse de assumir que nasci loira. Raios, alguma vez teria de "assumir" alguma coisa? Não! Sou loira e eles são homossexuais. Quando as pessoas entenderem isto, este passa a ser um não assunto.

Para ilustrar este "não assunto" resolvi mostrar-vos esta sopa, inspirada em várias culturas. Com a mistura do caril indiano e a cúrcuma oriental, com queijo feta grego e o bacon bem americano. Aqui fica a prova de que como num prato conseguimos misturar várias culturas e fazer algo de único e incrível. Posso-vos garantir que o mágico desta sopa é mesmo a incrível mistura de sabores e texturas. Como vêm com a diversidade conseguimos criar o extraordinário.



Creme de courgette e caril
Esta é uma receita elaborada para o robot de cozinha multifunções Cuisine Companion, da Moulinex. 

Ingredientes:

3 colheres de sopa de azeite
1 cebola grande
1 alho francês
1 haste de aipo
1 colher de chá de caril em pó
2 colheres de chá de cúrcuma
870g de courgette
50g de bacon
50g de queijo feta
Cebolinho q.b.
Sementes de sésamo q.b.

Preparação:

1. Na taça coloque o acessório misturador e introduza a cebola, o aipo e o alho francês com o azeite e seleccione o programa P1 de cozedura lenta a 130 ºC durante 5 min. Adicionar o caril, o açafrão, a courgete descascada e cortada em cubos, o sal e 700ml de água quente. 

2. Selecione o programa de sopas P2.

3. Servir com bacon tostado, queijo feta, cebolinho e sementes de sésamo.

20 de maio de 2016

Os bastidores nada glamorosos {Wraps de couve lombarda e peru com molho de mostarda}

Quantas vezes dou por mim a pensar "No que me fui meter? Agora deu-me para brincar às empresas?". Este pensamento às vezes assombra-me e assusta-me. Assusta-me tanto, nem podem imaginar. As decisões são tantas, as responsabilidades enormes. De tal forma que dei por mim, noutro dia, a "invejar" um colaborador fabril, que entra às 9h e sai às 17h, que não tem grandes responsabilidades, que o trabalho acaba quando pica o ponto. Claro que todos estes pensamentos não passam de pequenos desabafos íntimos, pequenos medos (ou grandes, sei lá!), sustos e que naquele preciso momento quero é desaparecer... "Deixem-me em paz, hoje não sou eu que decido!"

10 de maio de 2016

Meninices e Mesquinhices {Pesto de rúcula e menta}

Há uns dias, estava a arranjar a Maria para tomar banho e ela estava a contar-me um episódio da escola. Referiu o nome de uma amiga/colega que eu não conhecia. Ela disse: "Oh mãe, ela é do 3º ano, é aquela que dança muito bem Hip-Hop, sabes?" Percebi, finalmente, de quem se tratava e resolvi perguntar: "Vocês são amigas?"

Esta minha pergunta surtiu grande conversa:

21 de abril de 2016

Porque é que minha filha não me ouve? {Cevadoto de espinafres e camarão}

Num outro dia, em conversa com uma amigas acerca de parentalidade positiva, houve uma mãe que perguntou à minha amiga Magda: Como posso fazer para que a minha filha fale comigo?

Ora bem, eu não sou a Magda e não tenho as respostas certas que ela tem, e muito menos sei do assunto como ela sabe. Ela é quem ajuda os pais e tem taxas de sucesso incríveis. Mas esta questão deixou-me a pensar. "Como posso fazer para que a minha filha fale comigo?"

11 de abril de 2016

A corrida contra o tempo {Tarte de cenouras em flor}


O tempo que vai escorrendo por entre os dedos.
O tempo que nos foge sem pedir licença.
O tempo que nos escapa e nem notamos.
O tempo que nos faz falta. Que nos envelhece e transforma.

De repente damos por nós a perceber que já se passou uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano, 5 anos... uma década!